3 de janeiro de 2009

Saudade

Uma das maiores aflições que os gémeos sobreviventes relatam é a Saudade. Quando direccionada no sentido construtivo, é ela que faz escrever poesia, compor músicas e cantá-las com emoção, pintar quadros, imaginar histórias de amores perdidos e reencontros (quantos fadistas não terão tido esta fatalidade...).
Mas a saudade também pode ter um poder imenso no sentido destrutivo, levando as pessoas à desorientação, à tristeza, à depressão, e depois aos vícios como a droga e outros.
É ela também muitas vezes a responsável por dificuldades de relacionamento, ou por terríveis mal entendidos nas relações, amorosas ou não-amorosas.
Na esperança (ou com medo) de reencontrar o irmão perdido no seu par, repete-se com ele a história que se viveu (ou não viveu) naquela fase tão recôndita mas tão decisiva da vida! Foi uma história de amor e de dor, essa é a bitola trazida para o presente.
E é tão complicada a cura desta dor, porque ela é apetecível - é lá que está a "querida metade". Para a cura ter uma chance de ser eficaz é preciso voltar lá, sentir, compreender, perdoar e depois esquecer.

A Saudade, de tão doce, faz doer o coração.
(bonecas de Paula Estorninho)

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