Depois de isto, como duvidar da memória sensorial desde a vida intra-uterina?
De onde foi Sinead buscar este imaginário para contar uma história de amor e gratidão?
Não está a sua experiência pré-natal presente na sua vida adulta?
Gémeos sobreviventes são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória. SERÁ QUE ALGUNS GÉMEOS SINGULARES SOFREM TODA A SUA VIDA COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO/A INICIAL?
Veja no fundo desta página uma apresentação em 23 slides: a origem dos sentimentos que gémeos singulares relatam com mais frequência e uma descrição dessas sensações e emoções.LUTO INSONDÁVEL PRESO NUMA ESPIRAL DE AMOR SEM FIM


Estas conversas decorreram num ambiente descontraído onde os participantes tiveram oportunidade de conhecer-se melhor e de partilhar com os outros presentes as suas experiências próprias, as suas dúvidas e as suas ansiedades.
Este trabalho, sempre emocionado e profundo serviu de despedida do grupo, que voltará a ter a oportunidade de se encontrar no próximo ano.
Este relato sincero e comovente ilustra o texto de 20 de Setembro da Drª Nancy Greenfield: como sente uma jovem que perde a sua irmã gémea!
Gémeas :( Tenho tantas saudades tuas. Como nos foi acontecer uma coisa destas? Porque nós somos gémeas e devíamos estar juntas. Passamos toda a vida juntas, e agora? Não aguento estar sem ti, pensava que sim, mas não. És a minha segunda metade, a minha gémea. Nunca deixamos que nada se metesse entre nós, sempre estivemos unidas. E agora? Agora já não estás comigo. Tu sabes que eu preciso de alguém que tome conta de mim e me diga como continuar. Eu preciso de ti, fazes-me falta. Sinto falta de falar contigo sobre tudo e nada. Sinto falta de quando vinhas para a minha cama nas noites de trovoada. Sinto falta de estar dia e noite contigo. Sinto falta de quando te zangas e te atiras a mim; quem diria! E dos miminhos, já não tenho ninguém em quem me enroscar e fazer festinhas. Já no jardim de infância fazíamos das nossas. Estávamos sempre juntas! Mesmo não sendo nós sempre uma só alma e um só coração, depois de cada briga voltávamos sempre a fazer as pazes. Tenho saudades tuas e quero voltar a brigar contigo. Quero que voltes a ficar furiosa e te atires a mim de novo. Que volte a ser tudo como era dantes, e que voltemos a estar juntas. Quando se passava alguma coisa comigo, tu estavas sempre do meu lado. Desde que desapareceste é tudo diferente. Quero que me voltes a dar miminhos. Como é que nos puderam fazer uma coisa destas? Eu não aguento a tristeza de estar entregue a mim própria. Porque eu gosto tanto de ti. Gostava tanto de voltar a estar contigo. Sinto a tua falta. Um beijo da tua gémea.
Gostava de sentir
o que tu sentiste
quando morreste e não saiste.
Gritavas no escuro
e ninguem te ouvia
era a vida que tinhas que te fujia.
O calor tornou-se frio
assim fiquei eu
com um pouco de morte sombrio
sem saber o que te aconteceu.
Um beijinho do teu irmão gémeo Manuel.
No dia do meu aniversário e da tua morte.

No passado mês de Julho a Drª Joanna Wilheim, uma das pioneiras no estudo de gémeos sobreviventes (desde 1983) e Presidente da Associação Brasileira para o Estudo do Psiquismo Pré- e Peri-Natal, deu em Paris uma palestra com o título “Sindrome do Sobrevivente de Concepção Gemelar” no 1º Seminário internacional Transdisciplinar Clínica Pesquisa sobre o Bebé, do Instituto Langage.