Este blog chegou ao fim da sua vida !!!


Mas vai renascer com todos estes e muito mais posts em http://www.gemeo-singular.blogspot.com/, com nova imagem e novo nome.


Esperamos-vos lá!



LUTO INSONDÁVEL PRESO NUMA ESPIRAL DE AMOR SEM FIM

Veja no fundo desta página uma apresentação em 23 slides: a origem dos sentimentos que gémeos singulares relatam com mais frequência e uma descrição dessas sensações e emoções.



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8 de janeiro de 2010

Amor ex-gemelar...

Este video fala por si. Uma jovem faz uma declaração de amor à sua amiga, amor fraterno, amor gemelar como ela tão bem reconhece.
Para quem não sabe reconhecer a diferença esta declaração, cheia de ternura e inocência, confunde.
É uma fronteira delicada, mas não me parece que se trate aqui de amor homossexual. A minha hipótese é de que a menina que criou o vídeo seja uma gémea sobrevivente que está a preencher o espaço deixado pela sua irmã gémea com esta amizade. Será essa a razão que a leva a exacerbar o sentimento de pertença, e a faz sentir um amor tão perfeito e sublime pela amiga?
Vale a pena comparar com o post Gémea para todo o sempre onde uma jovem que perdeu a sua irmã gémea descreve os seu sentimentos.
Até a letra da música tem a ver com a perda!

4 de maio de 2009

Terapia para crianças

Estamos a organizar um grupo de suporte para crianças meias-gémeas entre os 3 e os 10 anos de idade. A proposta é do tipo da arte-terapia, de trabalhar com elas através da expressão artística, com o objectivo de as ajudar a expressar e a definir para si próprias com mais clareza o que são os seus sentimentos em relação à perda do seu irmão ainda no útero materno ou na altura do nascimento.
Este será um grupo de trabalho piloto, em que iremos afinar modos de actuar e que queremos seja de partilha e entre-ajuda também para os pais.
Para já temos previstos estes encontros em Aveiro, mas não excluímos a possibilidade de fazer depois outros grupos noutras cidades do país.
Quem estiver interessado em participar neste primeiro grupo experimental pode entrar em contacto connosco para o grupo Yahoo ou, caso não esteja já inscrito, através do botão de acesso que está do lado direito mais a baixo neste blog.

24 de outubro de 2008

Testemunho de criança

Este desenho foi feito por uma menina de 6 anos - é a capa de um livrinho que ela quer escrever.
Ela é uma criança tranquila, delicada, tolerante, mas teve já alguns momentos em que sem justificação aparente rebentou num choro inconsolável a chamar pela mãe com quantas forças tinha (ao colo da mãe).

As seguintes características levam a supor ter tido uma irmã no útero materno durante a sua gestação:
- Durante a sua gravidez a mãe teve de ficar em repouso durante várias semanas devido a hemorragias no primeiro trimestre.
- O seu parto foi complicado, nasceu inconsciente, por cesariana de urgência, e durante os primeiros dias apanhou uma meningite viral.
- Desde os 3 anos que fala da sua amiga Catarina, procurou-a quando entrou para o infantário e ao fim de uns meses queixou-se à mãe em pranto que "parece que a Catarina não existe. Nunca mais chega..."
-Desde pequenina que diz que não quer crescer, quer ficar bebé para sempre, e fica muito perturbada quando lhe dizem que está tão crescida.
- Tem pavor a ganhar nos jogos infantis; chora desesperada e diz "eu não queria que os outros perdessem..."
- Gosta muito de falar de Jesus, dos anjos, e diz que conversa com a Nossa Senhora quando se sente em aflição.

Um dia, num momento em que estávamos só as duas, disse-me:
"Eu tive uma irmã gémea quando estava na barriga da mamã, como tu. Ela estava lá comigo e brincávamos as duas. Depois eu cresci muito e ela ficou pequenina, até ser só um pontinho. Eu fiquei muito triste."

Depois de contar esta sua história ela sentiu-se mal, fraca, enjoada, mas também irritada. Eu deixei que exprimisse tudo o que quis, acolhi esse mal-estar. Mais importante que isso, eu mostrei-lhe que acreditava no seu relato depois ofereci-lhe um colo e um chá, e pouco depois ela estava melhor e foi brincar.

21 de julho de 2008

Falar com os bebés

Um exemplo de como o tratamento precoce em gémeos sobreviventes pode salvar vidas, e prevenir distúrbios psico-somáticos:
Myriam Szejer, pedopsiquiatra, pratica há mais de dez anos junto de mães e bebés um tipo de terapia chamada de escuta pós-parto. É um tratamento através da palavra, indicado para prevenir ou curar doenças e alguns distúrbios somáticos ou funcionais dos recém-nascidos. Diz a pedopsiquiatra que “É importante falar com a criança de uma maneira geral porque se trata de um ser humano, envolvido pela linguagem e portanto ávido dessas palavras que o constroem, mesmo a nível inconsciente. Às vezes há verdades fundamentais que dizem respeito à sua história e que se torna essencial dizer-lhe o mais cedo possível, para evitar que ela sofra por causa delas. Essas palavras permitem à criança organizar suas percepções e dar-lhes um sentido.”
No seu livro Palavras para Nascer, Myriam Szejer relata o caso de uma gravidez gemelar em que havia uma malformação muito grave numa das gémeas. Segundo prognósticos médicos depois de nascer ela teria um curto período de sobrevivência. A interrupção in-útero da vida desse feto foi feita já tadriamente, tendo o feto morto permanecido no útero até ao nascimento por cesariana da irmã sobrevivente, que se deu 15 dias depois. Tal como previra a Dra. Szejer, a gémea sobrevivente, de nome Léa, teve sérios problemas logo após o nascimento: não se alimentava e quando era amamentada à força, regurgitava imediatamente, colocando em risco a sua própria vida.
O problema foi tratado num trabalho muito intenso, com muitas conversas com Léa. Como explica a pedopsiquiatra "No caso da morte de um irmão gêmeo durante a gravidez, é preciso explicar ao que sobreviveu que ele poderá guardar no coração a lembrança de seu irmão ou da sua irmã, mas que ele não o verá mais."
Em duas semanas a recém-nascida conseguiu assimilar a situação da falta da sua gémea, a sua própria situação de sobrevivente, e a dificuldade em se alimentar desapareceu. Ao ser ajudada a fazer o luto da irmã ela pode recuperar do choque que viveu ainda antes de nascer.

13 de junho de 2008

Tradição africana

Entre os Iorubas, uma das maiores tribos africanas, nasce um grande número de gémeos: um em cada 22 a 24 nascimentos, enquanto a média mundial anda em um por cada 85 nascimentos.
O culto dos gémeos dos Iorubas dita que a alma dos gémeos é indivisível. Assim, se uma das crianças morre, eles criam um substituto para o gémeo sobrevivente. Um carpinteiro é incumbido de fazer uma pequena figura de madeira que vai servir de lar à alma da criança falecida. A figura de madeira do gémeo -ibeji- é vestida, enfeitada com jóias, lavada e untada com óleos, e é tratada do mesmo modo que a criança viva, sendo mesmo colocada ao peito.
Quando mais crescida a criança passa a carregar a sua "outra metade" ao pescoço ou à cintura.

Da nossa perspectiva esta tradição, para além de integrar a criança falecida na família, ajuda o gémeo sobrevivente a reconhecer a sua perca, com os benefícios que daí advêm - reconciliar-se com a sua dor, e fazer um luto com consciência.

9 de junho de 2008

Lidar com crianças meio-gémeas

Muitos meios-gémeos manifestam nas suas vidas, e nomeadamente na adolescência, ansiedades e outros indícios resultantes da vivência de morte por que passaram mesmo antes de nascer. Mas também há casos de gémeos sobreviventes que não apresentam na sua vida futura nenhum tipo de angústias profundas. O que podem então os pais fazer pelos seus filhos gémeos sobreviventes na fase da infância para ajudar?

Em primeiro lugar, caso não tenham já a certeza quanto à existência de um gémeo desaparecido na gestação do seu filho será necessário observar a situação, fazer um diagnóstico. Com a ajuda da seguinte lista de sinais característicos geralmente presentes em crianças meias-gémeas, pode chegar à conclusão se o seu filho pertence ao grupo dos gémeos sobrevivente. Se ele apresentar algumas destas características: é diferente das outras crianças; é muito empático, sensível ao ambiente que o rodeia; tem uma imaginação rica, criativa; fala muito sobre a morte; gosta muito de animais; tem um amigo imaginário; interessa-se pela espiritualidade; mas por outro lado, se é excluído pelos amigos; odeia competir e prefere trabalhar em conjunto com toda a gente, se tem baixa auto-estima; não gosta de dormir sozinho; parece perdido e sozinho, ou se é hipersensível, pode por a hipótese, com muita probabilidade, de que ele tenha vivido a morte do seu irmão gémeo, uma situação de extrema perturbação emocional, no início da vida intra-uterina dele.

Pode ainda perguntar-lhe directamente se ele se recorda de ter havido mais alguém com ele quando estava na barriga da mamã. Esta pergunta deve ser feita num momento em que ele esteja calmo, sozinho consigo, antes de adormecer, por exemplo. Normalmente as crianças têm uma grande facilidade de entrar em contacto com essa memória recôndita. Se ele se recordar de algo pode perguntar-lhe ainda: – E como é que te sentias com ele/a?, ou – O que foi que aconteceu depois? A criança pode ficar triste ou perturbada, abatida mesmo, e se for esse o caso dê-lhe todo o conforto possível acolhendo a sua tristeza. Ela estará a fazer um luto, e esse processo é muito curativo para ela.

As investigações nesta área parecem indicar que se um indivíduo souber desde cedo que teve um gémeo, esta informação passa a fazer parte dele, ajudando-o a compreender melhor as suas sensações. Deste modo ele saberá que está a responder de modo perfeitamente normalmente à real perda da sua "outra metade". O melhor que os pais destas crianças podem fazer é contar-lhes desde o início que tiveram um irmão gémeo.

Tomando estas medidas de prevenção pode ter mais meios para lidar melhor com o seu filho:

- Informar-se acerca dos pormenores médicos da gravidez dele, de modo a poderem ir respondendo às perguntas do filho à medida que forem surgindo.

- Manter-se informados sobre os potenciais efeitos psicológicos da perda pré-natal de um dos gémeos de modo a aperceber-se atempadamente se surgirem problemas.

- Entrar em contacto com outros pais de gémeos sobreviventes para suporte mútuo e partilha de informação.

- Criar para o filho uma espécie de prova física do gémeo desaparecido: uma estátua, um brinquedo especial ou uma planta no jardim, etc. como foco das sensações de tristeza ou perda, para o caso que surjam.

- Validar as sensações do seu filho frente ao cepticismo dos outros, que gémeos sobreviventes realmente têm uma sensação de que lhes falta algo – mesmo que não lhe seja fácil acreditar nisto!

- Estimular o seu filho com amor e aceitação.

O facto do seu jovem sobrevivente ser "diferente" pode ser celebrado como um presente especial, já que eles são muitas vezes miúdos muito sensíveis e empáticos, e que gostam de cuidar de quem os rodeia.

Se tiver outras dúvidas pode contactar comigo directamente para wombtwin.pt@hotmail.com.

Bibliografia: Is your child a wombtwin survivor, What to tell my wombtwin survivor child and when