Este blog chegou ao fim da sua vida !!!


Mas vai renascer com todos estes e muito mais posts em http://www.gemeo-singular.blogspot.com/, com nova imagem e novo nome.


Esperamos-vos lá!



LUTO INSONDÁVEL PRESO NUMA ESPIRAL DE AMOR SEM FIM

Veja no fundo desta página uma apresentação em 23 slides: a origem dos sentimentos que gémeos singulares relatam com mais frequência e uma descrição dessas sensações e emoções.



1 de dezembro de 2008

Palestra em Lisboa

Para festejar o III Aniversário do seu Espaço Plenitude, centro de terapias psico-corporais, Fernanda Cunha está a organizar um evento de comemoração, que se irá realizar no próximo Dia 8 de Dezembro a partir das 15 horas, lá no Pendão/Queluz.
Do programa constam três palestras: “A origem do Universo e do Homem segundo a Filosofia Oculta”de Rosa Maria Oliveira; “Quando o Eu começa por ser Nós” proferida por mim, Claudia Pinheiro, e “Somos Elos de uma mesma Cadeia” de Ângela Marques.
Caso tenham interesse em ir podem contactar-me para cpinheiro02@hotmail.com

23 de novembro de 2008

Homenagem

Clicar em cima para ampliar
Agradeço a Gregória Correia a autorização para usar a imagem, e a inspiração.

17 de novembro de 2008

Diz qualquer coisa

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"Estás tenso como a armadilha de um caçador; bem disfarçado, o que é que estás a esconder? Cara de póquer, esculpida em pedra, entre amigos mas sozinho, porque te fechas?

Diz qualquer coisa, diz algo, seja o que for, já te mostrei tudo, faz-me um sinal. Diz qualquer coisa, diz algo, seja o que for; o teu silêncio é ensurdecedor; retribui-me de qualquer forma!

Toma uma droga para te pôr em liberdade. Fruto estranho de uma árvore proibida, tens que voltar em breve. Preciso de mais do que de uma droga, preciso de uma modificação de cenário, preciso de uma nova vida.

Diz qualquer coisa, diz algo, seja o que for, já te mostrei tudo, faz-me um sinal. Diz qualquer coisa, diz algo, seja o que for; o teu silêncio é ensurdecedor; retribui-me de qualquer forma!

Diz qualquer coisa, eu estou aberto a tudo, aberto a imaginar. Já engoliste tudo? retribui-me de qualquer forma!"

James

12 de novembro de 2008

"Gémeos amalgamados"

Através de um teste de ADN chegou-se à surpreendente conclusão que uma mulher inglesa não era a mãe dos seus próprios filhos, gerados de modo natural. De facto o ADN do seu sangue e o ADN do tecido dos seus ovários não coincidia; ela era uma quimera humana. Põe-se então uma questão: será a irmã gémea desta mulher, fisicamente fundida no seu corpo, a mãe dos seus próprios filhos? Podemos dizer que esta mulher inglesa é na realidade a fusão de duas pessoas, duas irmãs gémeas.
A medicina considera as pessoas constituídas por dois tipos de células geneticamente diferentes quimeras humanas. São pessoas "como nós" que no seu corpo contêm ADN provenientes de dois blastocistos diferentes que se fundiram em determinada fase do seu desenvolvimento (ver aqui artigo em inglês).

A olho nu o quimerismo é dificilmente visível, sendo apenas possível de reconhecer em pessoas que têm genitais sexualmente ambíguos (hermafroditas), ou ainda quando partes de tecido diferem geneticamente umas das outras, fenómeno também chamado de mosaicismo. Na pele este fenómeno denomina-se de linhas de Blaschko, mas pode também observar-se quando a cor dos olhos ou dos cabelos é diferente de cada lado do corpo, quando há assimetrias.

As quimeras mais frequentemente relatadas têm sido descobertas através da fenotipagem sanguínea, detectando-se algumas pessoas que possuem dois tipos de sangue diferente. Em irmãos gémeos fraternos encontram-se algumas dessas quimeras sanguíneas porque, estando as suas placentas interligadas, eles partilharam o fornecimento de sangue no útero (o que permitiu a troca de embrionic stem cells sanguíneas e a sua consequente introdução na medula óssea do gémeo receptor). No caso das quimeras sanguíneas que não têm irmãos gémeos, a medicina aceita a hipótese de se estar perante a síndrome do gémeo desaparecido.

Segundo afirma Charles E. Boklage geneticista, e especialista em gemelaridade da East Carolina University, que nos últimos 20 anos tem estudado o desenvolvimento e a estrutura genética nomeadamente de gémeos, “(a quimera humana)…embora raramente seja detectada, pode não ser rara. Possivelmente alguns de nós somos provenientes de dois embriões... Ocasionalmente, encontramos dadores de sangue que transportam dois tipos diferentes de sangue: isso poderá significar que gémeos fraternos se fundiram no ventre num só corpo. Naturalmente, não há nenhum modo de determinar a fusão de gémeos idênticos, já que os seus genes e os tipos de sangue são iguais.
Nestes casos os gémeos não desaparecem; eles ficaram amalgamados."

O quimerismo pode aparentemente considerar-se então um terceiro fenómeno de gemelaridade para além dos dois de que se tem conhecimento: gémeos monozigóticos e dizigóticos. Enquanto a divisão dos blastómeros (óvulos fecundados) dá origem a gémeos idênticos, o quimerismo dá-se pela fusão de dois blastómeros, quer sejam eles oriundos de dois óvulos fecundados diferentes, ou de um mesmo óvulo fecundado que se dividiu.

As quimeras são indivíduos duais, gémeos de si próprios.

11 de novembro de 2008

Palestra em Aveiro

São cada vez mais as grávidas que no início da sua gravidez têm a oportunidade de ver um segundo coraçãozinho a bater dentro da sua barriga, que depois deixa de se ver.

Com os avanços tecnológicos na assistência à gravidez, a Embriologia e as novas abordagens da Psicologia podemos afirmar que cerca de 10% dos nascimentos singulares são gémeos sobreviventes (começaram como gravidez gemelar ou múltipla), e que essas pessoas carregam para toda a vida profundas consequências psico-emocionais de não terem estado sós no início da sua gestação.

Que consequências tem aquele início de vida?
Podemos ajudar estas pessoas a lidarem com a sua perda?

Nesta apresentação de cerca de hora e meia o meu objectivo é apresentar ao público a nossa temática e responder às questões que as pessoas possam querer colocar. Será no sábado, dia 17 de Janeiro às 15h no Restaurante macrobiótico Ki. Rua Capitão Sousa Pizarro 15 em Aveiro.
Tel – 915552205/ 234094089
e-mail: info@kimacrobiotico.com

3 de novembro de 2008

A mímica apresenta a dualidade

Uma obra do mímico francês Jérome Murat que nos inspira a olhar a realidade com outros olhos, a reconsiderar o nosso lugar neste mundo, e a rever os nossos relacionamentos com os outros. Esta fascinante performance tem tanto sucesso e tanto impacto para muitas pessoas, não só pela sua qualidade artística, mas também porque para cerca de um décimo de todos nós ela soa a qualquer coisa conhecida...

Ele conta a história de um homem estátua que é surpreendido por uma segunda cabeça igualzinha à sua, que estava dissimulada em si. Depois de ela despertar e o saudar amorosamente este homem, ele por sua vez, desperta também para a vida. Da dualidade e empatia entre eles surge a alegria, a descoberta, mas também a competição pelo protagonismo: como podem coexistir duas cabeças no mesmo corpo? Ele tenta então suprimir à força a cabeça que acaba de se revelar, mas desse acto de abuso de poder resulta um momento grandioso, como que uma intervenção superior, quase divina. Imediatamente, revogando a sua decisão, o homem rejeita então a sua própria cabeça e opta pela cabeça que tinha latente em si. Vejam:

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  • Existe em mim mais alguém oculto? e quem é esse alguém?
  • Será que sou dois?
  • Estará um de nós aqui a mais?
  • Quem sou eu? serei quem eu imaginava que era?
  • Fiquei mais Eu depois de assumir quem em mim se revelou, e ganhou força, e tanta vontade de me conquistar?

A sua verdadeira cabeça, antes encoberta, assume finalmente o devido lugar, ao conquistar o lugar da cabeça que o homem julgava ser a sua (e que poderiamos atribuir ao seu irmão gémeo perdido).

30 de outubro de 2008

Mika - Final feliz

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"Foi assim que me abandonaste, estou a falar a sério, sem esperança, sem vida, sem honra, sem um final feliz.

Acordo de manhã, tropeço na minha vida, não consigo receber amor sem esforço. Se alguma coisa acontecesse, acho que bem te desejava um bocadinho de céu e também um bocadinho de inferno.

Esta é a história mais difícil que alguma vez contei, sem esperança, sem vida, sem honra, o nosso final feliz sumido para sempre.

Sinto-me como se me estivesse a destruir, todos os dias me desperdiço.

Foi assim que me abandonaste, estou a falar a sério, sem esperança, sem vida, sem honra, sem um final feliz. Amámos como se fosse para sempre, mas não viveremos juntos o resto das nossas vidas.

São duas da manhã, tenho algo na minha mente, não consigo descansar, continuo a andar às voltas. Se fingisse que nunca nada de mau aconteceu, podia voltar a dormir, e pensar que podiamos simplesmente seguir o nosso caminho. (...) "

Mika - Happy Ending

24 de outubro de 2008

Testemunho de criança

Este desenho foi feito por uma menina de 6 anos - é a capa de um livrinho que ela quer escrever.
Ela é uma criança tranquila, delicada, tolerante, mas teve já alguns momentos em que sem justificação aparente rebentou num choro inconsolável a chamar pela mãe com quantas forças tinha (ao colo da mãe).

As seguintes características levam a supor ter tido uma irmã no útero materno durante a sua gestação:
- Durante a sua gravidez a mãe teve de ficar em repouso durante várias semanas devido a hemorragias no primeiro trimestre.
- O seu parto foi complicado, nasceu inconsciente, por cesariana de urgência, e durante os primeiros dias apanhou uma meningite viral.
- Desde os 3 anos que fala da sua amiga Catarina, procurou-a quando entrou para o infantário e ao fim de uns meses queixou-se à mãe em pranto que "parece que a Catarina não existe. Nunca mais chega..."
-Desde pequenina que diz que não quer crescer, quer ficar bebé para sempre, e fica muito perturbada quando lhe dizem que está tão crescida.
- Tem pavor a ganhar nos jogos infantis; chora desesperada e diz "eu não queria que os outros perdessem..."
- Gosta muito de falar de Jesus, dos anjos, e diz que conversa com a Nossa Senhora quando se sente em aflição.

Um dia, num momento em que estávamos só as duas, disse-me:
"Eu tive uma irmã gémea quando estava na barriga da mamã, como tu. Ela estava lá comigo e brincávamos as duas. Depois eu cresci muito e ela ficou pequenina, até ser só um pontinho. Eu fiquei muito triste."

Depois de contar esta sua história ela sentiu-se mal, fraca, enjoada, mas também irritada. Eu deixei que exprimisse tudo o que quis, acolhi esse mal-estar. Mais importante que isso, eu mostrei-lhe que acreditava no seu relato depois ofereci-lhe um colo e um chá, e pouco depois ela estava melhor e foi brincar.

23 de outubro de 2008

Lidar com o luto

Uma carta de Eloïse, membro da Associação wombtwin.com a uma mulher desesperada pela dificuldade em lidar com o sofrimento que a invade quando pensa na sua irmã gémea que, há pouco tempo, tomou consciência ter perdido no início da sua gestação.

Cara amiga

Ai, aquele vazio e aquela perda... são tão profundos... e talvez nunca possam vir a ser preenchidos, mas realmente acredito que em grande medida podemos curar-nos.

É natural que sinta a dor e a tristeza - está reviver as emoções da sua vida intra-uterina e são tão intensas porque, como sabe, morreu ali uma parte de si... a sua amiga mais chegada, a sua alma gémea, ... Acredito que temos de ser nós a preencher esse vazio a partir de nós próprios; não podemos esperar que alguém o venha preencher desde fora.

Reservarmos um cantinho nos nossos corações para o amor por aqueles que são e serão sempre os nossos companheiros de espírito mais próximos, não tem mal nenhum.

Descobri acerca dos meus companheiros de ventre perdidos (irmã idêntica e irmão fraterno) há aproximadamente 7 anos, por N.E.T. (quinesiologia). Tem sido uma grande viagem. O que tenho aprendido é que provavelmente é mais curador não estar à espera de uma espécie de ponto final. É uma viagem da aceitação que tem muitas curvas e solavancos, há períodos de grande alegria e uma sensação de unidade, e logo o contrário. Tenho de admitir que ainda estou a lidar com a minha vivência no ventre e a aprender cada dia mais... mas sei agora que é antes de tudo, e em primeiro lugar, uma questão de saber perdoar-se. Ainda estou a trabalhar nisto!!! Conseguir perdoar-se a si próprio é parte integrante da história, tenho a certeza, porque penso que a maioria sente várias formas de culpa-de-sobrevivente. Lembro-me que no passado me foi útil pensar que a nível espiritual houve um momento em que cheguei a um acordo com os meus trigémeos. Foi em conjunto que decidimos o caminho que as coisas deviam tomar, e assim não há necessidade de me sentir culpada por estar viva.

A perda é enorme, mas penso que quando compreendemos a relação que temos com os nossos gémeos 'perdidos', podemos aceitá-la. Eles estão lá para nós quando precisamos deles (não estão realmente PERDIDOS, apenas partiram nas suas próprias viagens) – e penso que através deles temos o dom de conseguir explorar outros mundos.

Trata-se de conseguirmos encontrar aquela parte de nós próprios – chamem-lhe intuição ou uma empatia assombrosa que muitos de nós têm, ou uma orientação mais alta – que eu penso ser a nossa conexão aos nossos gémeos e múltiplos. Eles falam-nos através dessas coisas, para alguns será talvez a natureza, a criatividade para outros, seja o que for será algo que nos faz entrar em contacto com aquele conhecimento interior de que existe ali algo maior do que nós... bem, isto é como o vejo... Estamos cá para compartilhar o dom de termos experimentado esta breve conexão profunda, e logo aprendermos a transportá-la para as nossas vidas possivelmente através do nosso trabalho, dos nossos amores, das nossas crenças espirituais, etc.

Ser capaz de partilhar a vida com os demais sem deixar que a nossa vivência no ventre tome conta de tudo é algo de tão complexo! Continuo a trabalhar nisto diariamente!!!

Você encontrará um modo de comunicar-se com a sua gémea. A escrita, o desenho, o exercício, a marcha na natureza, a natação, a dança, a música, o canto, etc. A escrita com a mão não-dominante pode ser um grande método de deixá-la falar-lhe. Fale com a sua gémea, dê-lhe um nome, faça o luto por ela, faça-lhe um funeral, e a parte mais difícil está em deixá-la ir no sentido de lhe permitir viver a SUA vida, sabendo que ela quereria que fosse muito feliz aqui na Terra.
O meu conselho é que deve permitir-se sentir tudo - grite tanto quanto precisar de gritar, bata em almofadas ou algo assim, faça algum exercício se puder, mova-se um pouco ao ar livre... mas antes de tudo assegure-se de que toma todo o cuidado consigo, que se trata com respeito, como o faria com alguém em aflição. É realmente importante saber honrar o que está a sentir, e como as ondas no oceano, lá virá um dia em que se sentirá mais calma. Tome o tempo que for necessário. Lembro-me de que nalgum momento na minha viagem imaginei-me como uma criança que eu acarinhava, a quem ternamente dizia que estava tudo bem, estava em segurança, era amada etc. ... Faça o que lhe parecer adequado para si - você saberá. Confie no seu instinto, ninguém mais pode saber como é melhor para si.
O luto é uma coisa tão pessoal para todos nós. Só você saberá como lidar com ele porque você é uma SOBREVIVENTE. Você é forte.

Estamos todos no mesmo barco, possivelmente em etapas diferentes das nossas viagens, desejo-lhe o melhor para a sua. Seja meiga para consigo,
Eloïse

14 de outubro de 2008

Apoio emocional a bebés meios-gémeos


Paula Diederichs, uma prestigiada terapeuta psico-corporal alemã que tem orientado em Portugal acções de formação para profissionais no Acompanhamento Psico-Corporal em situações de Crise a Grávidas e Bebés, (informações e pormenores da formação aqui),aplica nas consultas o seu método de Primeiros Socorros Emocionais, testado desde há 12 anos em Berlim, e noutras cidades alemãs.

Trata-se de um tipo de apoio emocional, uma terapia suave e breve para mulheres grávidas em qualquer fase, e bebés ou crianças até cerca dos dois anos, que procura reequilibrar a instabilidade presente na grávida ou na criança/mãe/pai, de modo a evitar o futuro agravamento dos sintomas, e prevenir distúrbios comportamentais.
Quer se trate de um filho já nascido ou ainda não, a operação de assistência é sempre conjunta à tríade mãe-filho-pai (ou filho-mãe ou filho-pai, no caso de só um ser educador) e inclui em simultâneo os aspectos relacional e corporal - a massagem e outras técnicas.
No decorrer deste trabalho a linguagem e expressão corporal dos bebés torna-se mais meiga e coordenada, e o seu contacto emocional com o mundo muda, expande-se. As mães e os pais ficam mais calmos, e mais seguros das suas capacidades para cuidarem dos filhos.
Em Portugal o grupo Crescer Com Colo reúne alguns dos terapeutas formados por Paula Diederichs e dá uma informação mais alargada acerca deste método.

Os bebés gémeos solitários também podem tirar partido deste trabalho. Segundo Paula Diederichs, que trabalha actualmente com um menino que perdeu a sua irmã no sexto mês de gravidez, “a criança também tem ali, assim como a mãe, a oportunidade de vivenciar os seus sentimentos em relação à irmã desaparecida e a toda a questão da perda.” Ele acaricia e beija a boneca que a mãe escolheu para o seu processo de luto, fazendo deste modo o seu próprio processo de individuação em relação à sua irmã gémea falecida. É um trabalho de cura através do acompanhamento do luto da díade filho/mãe em conjunto, mas também do luto de cada um individualmente.

Paula Diederichs trabalha a partir do coração ouvindo com atenção e respondendo com afecto e sabedoria. A sua atitude amorosa cria uma atmosfera de segurança e responsabilidade; transmite um grande respeito pelo sofrimento das pessoas que a procuram.

10 de outubro de 2008

O feto é inteligente

O 1º encontro de gémeos que se realizou em Óbidos há um ano atrás terá sido um bom motivo para pais de gémeos se conhecerem e trocarem experiências, e para os gémeos presentes partilharem aquilo que todos os gémeos têm em comum - a sua condição de não terem sido gerados sozinhos, logo, de terem uma relação excepcionalmente próxima com um irmão ou irmã.
Para além deste motivo mais festivo, Isabel Seara, organizadora do encontro e vice-presidente do Grupo de Gémeos, também aproveitou, em bom tempo, para dar visibilidade à problemática da redução selectiva ou interrupção de gestações multifetais na reprodução medicamente assistida por técnicas de inseminação artificial, (pode ler mais sobre o assunto em inglês aqui) dizendo, como pode ler-se no
Jornal Oeste Online, que “o Estado não se deve imiscuir na vida privada das famílias e das grávidas que optaram pela inseminação artificial”. O seu argumento é então considerar que “a felicidade da fertilidade se sobrepõe ao risco da gravidez de múltiplos”.

Há aqui uma informação importante em falta, relacionada com a vivência do feto que fica depois de se ter interrompido a gestação do/s seu/s irmão/s gémeo/s.
Como sabemos, por experiência própria, a alma do feto "tem o tamanho" da alma do adulto! Ele sente o que se passa à sua volta, e mais do que isso, tem acesso aos sentimentos das pessoas que o cercam, possivelmente através da mãe. Existe uma comunicação intensa (fisiológica e/ou espiritual) entre o embrião e a mãe desde a formação do blastocisto, ficando tudo registrado na extraordinária capacidade da sua memoria celular (ou espiritual).
Temos que nos colocar a questão de como se sentirá uma pessoa que "sobreviveu" a uma intervenção médica em que indiferenciadamente os seus irmãos foram eliminados?

Este caso narrado por Thomas Verny e John Kelly no seu livro A Vida Secreta da Criança antes de nascer, uma referência da psicologia pré e peri-natal, demonstra a consciência que o feto tem de tudo o que se passa com a sua mãe e a sua envolvente
.
O Dr. Peter F. Freybergh, professor de obstetrícia e ginecologista da Universidade de Upsala, na Suécia, observou que Kristina, um bebé robusto e bem comportado, revelou um estranho comportamento: recusava-se a mamar no seio da mãe. Aceitava o biberão ou o seio de outras mulheres, mas não queria nada com o alimento materno. Dr. Peter, indagando da mãe a razão de tal comportamento, recebeu um “não sei” como resposta. Quando, porém, o Dr. Peter foi mais incisivo na pergunta: “Mas você desejava realmente esta gravidez?”. Ela esclareceu: “Eu queria abortar, mas o meu marido desejava esta criança, então, mantive-a”. “Isto era novidade para o Peter, mas obviamente não o era para Kristina”, comenta o Dr. Verny; “Afectivamente rejeitada no útero, Kristina, com apenas quatro dias de vida e inteiramente dependente, estava firmemente decidida a rejeitar a sua mãe”.

A Dra. Joanna Wilheim, Presidente da Associação Brasileira para o Estudo do Psiquismo Pré- e Peri-Natal, afirma com base nos seus estudos científicos que “Se conceituarmos inteligência como a capacidade para auto-gerir-se mentalmente; adaptar-se e adequar-se a situações novas; seleccionar condições e aproveitar experiências – o que implica aprendizado e memória -, podemos concluir que de facto elas estão presentes no feto desde o período inicial da gestação”.

19 de setembro de 2008

O meu testemunho

Está quase a fazer um ano que descobri que no início da minha gestação eu não estava sozinha; estava lá mais alguém comigo, que depois desapareceu. As provas da minha condição de meia-gémea têm-me acompanhado durante toda a vida de forma latente, dando-me bastantes “dores de cabeça”.
Ao tomar consciência deste acontecimento, nos primórdios da minha vida, fez-se luz no meu espírito: então "caiu a ficha", e comecei a compreender-me melhor. Com o passar dos meses, aos poucos, dou-me conta de que me vou libertando de algumas limitações que me apoquentavam desde há muito. Finalmente posso desfrutar em consciência das alegrias, igualmente latentes, que o facto de ter sido gerada a partir de uma gravidez múltipla me traz.
Este poema, que escrevi com 17 anos, descreve um dos momentos em que a sensação de ser meia-gémea se declarava explicitamente:

Tenho andado agitada
disfarçada de doente.
O Natal não curou nada
nem sequer a própria mente.

Devia trazer felicidade,
paz de espírito, tranquilidade.
Não trouxe senão perguntas,
e comida sem vontade.

Criou um buraco fundo
pedindo pr’a ser tapado
com algo que não existe
mas devia ter cá estado.

Parece aquela saudade
dos fadistas portugueses,
mas como, e de quê? ,
pergunto eu tantas vezes.

Uma saudade assim,
sem ter princípio nem fim,
sem razão nem dimensão…
Isto mesmo... só a mim!

18 de setembro de 2008

Sair do buraco negro

Depois de encarada a possibilidade de ter tido um irmão gémeo vem um longo e incontornável caminho de re-conexão com o tempo em que se deu a separação no sentido de se reviverem os sentimentos da altura. É quase uma época de “regressão penosa”, que demora sempre demasiado tempo. Parece haver uma enorme inércia em sair desta fase do caminho da cura para entrar numa nova condição. Althea Hayton chama-lhe o buraco negro.

A dor que assola nomeadamente o sobrevivente de gémeos idênticos é uma dor original impressa no mais profundo do seu ser e do seu corpo, na medula dos seus ossos. Mesmo se foram apenas poucas semanas, aqueles momentos antes do desaparecimento do seu irmão (inclusivé numa morte gradual) tiveram inevitavelmente um final inesperado e abrupto: um trauma que conduz a um sentimento de abandono, de falta insondável para o resto da vida. A pessoa sente-se em maior ou menor grau enredada numa teia de tristeza que não consegue explicar. É um sofrimento auto-destrutivo que a dada altura a empurra para a depressão ou mesmo para a morte (com exemplo o psicólogo Eduardo Sá afirma que a grande maioria dos toxicodependentes são gémeos sobreviventes).

A ferida vem do início da sua existência. O seu desgosto é como uma onda que vem do fundo do seu corpo, da sua memória celular, deixando-o impotente perante todo aquele poder destrutivo.
A referência que ele tem da vida antes do trauma, quando tudo estava bem, quase não existe, e além disso: – No início eu não estava só, eu “era mais alguém…" Esta é a sensação que retém e que o persegue, mesmo sem nunca ter sabido que o seu irmão existiu.

Na realidade ele tem uma memória recôndita, ancestral, do que era ser feliz, e estar em paz. A sua dor existe porque existe esta memória de plenitude, e é exactamente esta memória que testemunha a sua capacidade de voltar a sentir-se bem. “Mesmo que o ser humano viva dentro de um forno, nem por isso será pão. Uma situação não altera a essência. A cura na verdade, é o retorno à essência.” (Lauro Trevisan)

O gémeo idêntico foi gerado a partir de um blastocisto que se subdividiu, o que origina um incontestável vínculo espiritual entre os dois.
Mas no entanto ele é hoje um ser humano autónomo de corpo e alma – por definição saudável e perfeita. A vida é possível na totalidade, mesmo sem aquele que no início o sobrevivente considerou ser a “sua outra metade”. Ele estava enganado... sentia como bebé que era... mas o seu irmão, não era a sua “outra metade”!

Althea fala da necessidade de acordar do sonho do ventre para a vida hoje. Só existimos agora, já somos adultos, o passado já não existe. “Seja inteligente: descarregue o seu fardo, pois é inútil e só conduz ao sofrimento. Deite fora o lixo. A desgraça aconteceu, mas já não existe”, afirma ainda Trevisan.
Realmente não se trata de minimizar o sofrimento, mas apenas de compreender que o sofrimento não é a pessoa: aquele foi um episódio da vida. “O lixo” aqui são a angústia, o medo, a resignação, o ressentimento ou outras emoções frias resultantes da morte do querido irmão ou irmã gémea. O sofrimento é provocado por estas emoções que o “destino” causou, e são elas que têm de ser eliminadas, não o amor - não há necessidade de negar o ímpeto interior de recordar alguém que se amou tanto, nem de deixar de trazê-lo no coração.

Quando confundido com a dor da perda, o vínculo de amor que o sobrevivente nutre pela sua saudosa companhia limita, atrofia e destrói a pessoa.

Perdoar-se a si próprio por esta confusão, e perdoar o irmão desaparecido pela sua ausência é antes de mais um passo essencial. Como diz mais uma vez Lauro Trevisan “Além de ser um gesto de boa vontade e tolerância, o perdão é principalmente uma questão de inteligência, pois o acto de não perdoar adoece a pessoa, causa stress, parte a ponte que nos liga ao outro.”

Com a humildade do perdão e uma atitude propositada de anular e esquecer a dor da perda é mais fácil ultrapassar esta estranha fase do buraco negro.

28 de agosto de 2008

Meu Sósia e Eu

Esta manhã veio parar-me às mãos, numa livraria, o livro Meu Sósia e Eu, da editora Campo das Letras (1999). O título chamou-me a atenção: aos 92 anos o mestre Oscar Niemeyer edita um livro autobiográfico, e opta por destacar no título o binómio dos dois seres que ele sente serem ele! (em vez de usar simplesmente o seu nome, ou algum outro nome que o caracterize).

Este génio da arquitectura que no dia 15 de Dezembro de 2007 fez cem anos, desafiou a arquitetura com linhas sinuosas, extrapolou o modernismo, criou Brasília (junto com Lúcio Costa) e recentemente foi eleito o nono entre os 100 maiores génios vivos.

O livro tem por fim dar a conhecer os diversos ângulos da personalidade de Oscar Niemeyer - o Arquiteto, o Artista, o Escritor, o Criador, o Cidadão, o Amigo; as suas andanças, os seus amigos, a sua familia, as coisas que lhe interessam.

Diz Oscar Niemeyer no prefácio, explicando um pouco melhor quem é, e que tipo de relação tem com este seu sósia:

«Meu sósia vem de longe, de outros continentes, de tempos tão distantes que deles só os livros podem lembrar. Mas vem também de áreas mais próximas, vem de Maricá onde nasceram meus avós (…)
Nada tenho a me queixar deste intruso que dentro de mim existe há anos, e me cerca com seus conselhos.
Mais puro do que eu – desconhece todos os preconceitos da sociedade – ele me sugere coisas impossíveis. Mas é honesto, despensa bens materiais e é leal e generoso, o que facilita essa conversa diária que mantemos.
Gosta de beleza. A mulher o fascina e a natureza o emociona. Muita coisa nos identifica. (…)
Não é difícil levá-lo para os problemas sociais. Seu feitio fraternal facilita.
E assim vamos nós de mão dada, sonhando melhorar o mundo. (…)
Curioso, meu sósia quer ocupar-se de coisas em demasia. Desenhar, fazer esculturas e literatura. Procuro contê-lo, fazendo autocrítica, ouvindo os amigos, lendo muito.Mas ele insiste. Diz que a arquitectura deve estar ligada a todos os assuntos da cultura e lembra como afirmativas de Heidegger e Malraux me foram úteis na defesa de meus projectos. Tudo o que faço tem sua participação e com ele divido o que vocês acharem de bom ou ruim neste livro


Encontrei mais esta frase sua, de uma outra ocasião: “Acho muito bom a pessoa se recolher e ficar pensando em si mesma, conversando com esse ser que tem dentro dela, que é nosso sósia, né? Eu converso com ele a vida inteira.”

O que nos ensina este mestre centenário é de uma simplicidade comovente: com imensa lucidez ele ousa aceitar, acolher e dialogar com aquela outra parte de si próprio, a quem ele chama o seu sósia interior. E mais que isso, ele apresenta-o e louva-o publicamente em diversos momentos, ao ponto de lhe dar o maior protagonismo quando edita um livro com as suas obras e eventos principais, as mais queridas, tudo o que mais o caracteriza como pessoa.

É integrando na nossa vida aquele ou aquela que sentimos ser o nosso sósia dentro de nós, dando-lhe um lugar concreto, um espaço real, acreditando na sua existência e poder, que nos podemos curar da dualidade que está entranhada no nosso ser. É validando os nossos sentimentos perante nós próprios e os outros falando deles a todo o mundo, que nos vamos libertando da dor da perda para então podermos atingir o nosso verdadeiro potencial.

24 de agosto de 2008

Mário de Sá Carneiro

Dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje quando me sinto
É com saudades de mim.

...

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo.
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida,
Assim eu choro da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
uma gentil companheira
que na minha vida inteira
eu nunca vi, mas recordo.

A sua boca dourada
e o seu corpo esmaecido,
Em um hábito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
são do que nunca enlacei.
Ai como tenho saudades
dos sonhos que não sonhei!...)

...


Partida
...

Ao triunfo maior, avante pois!
O meu destino é outro - é alto e é raro.
Unicamente custa muito caro;
A tristeza de nunca sermos dois...

25 de julho de 2008

Esta é uma história de amor...

Uma canção de Adriana Partipim (animada por um fan, imagino) que, lida do nosso ponto de vista, dá uma ideia do sentimento de saudade e falta que gémeos sobreviventes muitas vezes experimentam. Ora vejam:

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Há muitos mais cantores, poetas, e artistas de todo o tipo onde se pode ler nas entrelinhas a sua experiência como sobrevivente de uma gestação multipla. Só alguns nomes: Ian Curtis dos Joy Division, Robby Williams, Leonard Coen, Elvis Presley (o seu irmão morreu à nascença, ver aqui), e o grande poeta português Fernando Pessoa também tem todas as características...

Os vossos comentários são bem-vindos, podem mesmo dar a conhecer outros nomes que vos pareçam fazer parte desta lista.

21 de julho de 2008

Falar com os bebés

Um exemplo de como o tratamento precoce em gémeos sobreviventes pode salvar vidas, e prevenir distúrbios psico-somáticos:
Myriam Szejer, pedopsiquiatra, pratica há mais de dez anos junto de mães e bebés um tipo de terapia chamada de escuta pós-parto. É um tratamento através da palavra, indicado para prevenir ou curar doenças e alguns distúrbios somáticos ou funcionais dos recém-nascidos. Diz a pedopsiquiatra que “É importante falar com a criança de uma maneira geral porque se trata de um ser humano, envolvido pela linguagem e portanto ávido dessas palavras que o constroem, mesmo a nível inconsciente. Às vezes há verdades fundamentais que dizem respeito à sua história e que se torna essencial dizer-lhe o mais cedo possível, para evitar que ela sofra por causa delas. Essas palavras permitem à criança organizar suas percepções e dar-lhes um sentido.”
No seu livro Palavras para Nascer, Myriam Szejer relata o caso de uma gravidez gemelar em que havia uma malformação muito grave numa das gémeas. Segundo prognósticos médicos depois de nascer ela teria um curto período de sobrevivência. A interrupção in-útero da vida desse feto foi feita já tadriamente, tendo o feto morto permanecido no útero até ao nascimento por cesariana da irmã sobrevivente, que se deu 15 dias depois. Tal como previra a Dra. Szejer, a gémea sobrevivente, de nome Léa, teve sérios problemas logo após o nascimento: não se alimentava e quando era amamentada à força, regurgitava imediatamente, colocando em risco a sua própria vida.
O problema foi tratado num trabalho muito intenso, com muitas conversas com Léa. Como explica a pedopsiquiatra "No caso da morte de um irmão gêmeo durante a gravidez, é preciso explicar ao que sobreviveu que ele poderá guardar no coração a lembrança de seu irmão ou da sua irmã, mas que ele não o verá mais."
Em duas semanas a recém-nascida conseguiu assimilar a situação da falta da sua gémea, a sua própria situação de sobrevivente, e a dificuldade em se alimentar desapareceu. Ao ser ajudada a fazer o luto da irmã ela pode recuperar do choque que viveu ainda antes de nascer.

8 de julho de 2008

A silent Cry

A Conferência em Londres foi simultaneamente o lançamento do novo livro de Althea Hayton, A silent Cry, que reúne 70 testemunhos de gémeos sobreviventes. São pessoas originárias dos quatro cantos do mundo que tendo contactado a Althea via e-mail, aceitaram publicar neste livro, sob anonimato, as suas histórias pessoais. Para elas a publicação dos testemunhos resulta como uma atitude profundamente terapêutica, e para os leitores este será um material eventualmente esclarecedor, e com certeza fascinante. São pequenos depoimentos que relatam histórias de revelação, descoberta e cura.

A primeira parte apresenta algumas das muitas formas como um gémeo pode perder-se antes de nascer, e como alguns indícios do gémeo desaparecido podem ainda ser visíveis.
A segunda parte expõe as diferentes e muitas maneiras com que a perca pré-natal de um irmão gémeo pode influenciar atitudes, sentimentos e comportamentos.
E a terceira parte consiste em algumas histórias mais compridas que relatam o processo de cura experimentado por alguns indivíduos.

“Chegou o momento de contar ao mundo uma das maiores e mais bem guardadas histórias do nosso tempo: Os profundos efeitos psicológicos que os gémeos sobreviventes experimentam quando o seu irmão gémeo morre antes de nascer.” Althea Hayton

2 de julho de 2008

Notícias da 1ª Conferência

No passado dia 21 de Junho participei em Londres na 1ª Conferência anual da Wombtwin.com, com o tema Da Teoria à Terapia. Tive assim a oportunidade de conhecer pessoalmente quem está à frente desta organização realmente pioneira que investiga e apresenta pública das consequências pisco/emocionais que caracterizam os gémeos sobreviventes de gravidezes gemelares.

Acompanhados por de cerca de 30 participantes de diversas idades e nacionalidades, lá estavam Althea Hayton e Nick Owen, duas pessoas bastante diferentes que se completam no modo como abordam o trabalho acerca de gémeos sobreviventes. Ela com a busca minuciosa da evidência científica e dos dados estatísticos, e ele mais com uma observação do ponto de vista psico-emocional; gente que assume com consistência a sua razão, que se apresenta com uma invejável segurança no futuro e uma alegre tranquilidade no presente.

Althea Hayton falou dos efeitos físicos e psicológicos de ser gémeo sobrevivente de uma gravidez múltipla, apresentando ao seu modo transparente e objectivo um powerpoint, a consultar aqui.

Nick Owen apresentou de um modo mais poético a questão da busca de uma terapêutica adequada para gémeos sobreviventes. Encontrar um terapeuta preparado para trabalhar com sobreviventes de gravidezes gemelares não é fácil, é ir contra a maré, há demasiado conhecimento, demasiados factos que se opõem a essa "hipótese". Como afirma Nick "A Sociedade tem um bloqueio em relação a aceitar as vivências pré-natais, e nós próprios, os gémeos sobreviventes, temos esse bloqueio em nós, lutamos com ele diariamente. Precisamos como terapeuta de alguém muito especial, porque o nosso é um problema muito especial".

Para dar resposta ao trabalho psicoterapeutico no âmbito do trauma pré natal, como é aqui o caso, ficou bem clara nesta conferência a necessidade de uma evolução nas psico-terapias. Segundo John Rowan, o palestrante que falou do papel do gémeo desaparecido na psicoterapia pré e peri-natal, "entrar no pré-natal implica entrar nos níveis subtis do transpessoal, do simbólico, e isso aponta para um trabalho com o uso de rituais e o trabalho com imagens".

Para além dos assunto apresentados pelos especialistas, os temas que vieram à baila nas discussões participadas pelos presentes foram igualmente atraentes. Nesses debates, e também nos intervalos, todos aproveitaram para trocar experiências e vivências pessoais, o que criou um clima de união, como se aquele evento fosse uma festa entre amigos que há muito tempo não se viam. Pode ler aqui (em inglês) alguns comentários dos participantes, registados no final do dia.

16 de junho de 2008

Ressentimento ou raiva constantes

O Sonho do Ventre é uma impressão vaga e inefável, uma memória perdida, que permanece profundamente implantada na parte mais primitiva do nosso cérebro. Não sendo exactamente um sonho, esta é a palavra mais adequada para descrever o que obviamente está além das palavras.
Os psicólogos, embriologistas e terapeutas de várias disciplinas têm vindo a debruçar-se sobre os efeitos da experiência pré-natal na mente de cada indivíduo e hoje muitos já estão convencidos que todos nós transportamos uma impressão da nossa vida antes do nascimento.

Um aspecto interessante do Sonho do Ventre do gémeo sobrevivente é a necessidade de manter vivo aquele sonho, pois é lá que se encontra o seu irmão gémeo perdido. Mas a consequência disso não é apenas solidão e abandono, o ressentimento ou a raiva são forças destrutivas que também consomem lentamente muitos sobreviventes.

O ressentimento é aquela sensação que surge na sequência de Grandes Males. Com uma sensação constante, secreta e inquieta de ressentimento a pessoa é levada a dirigir, no seu dia a dia, um montante incrível de energia para esse sentimento.
• podemos ressentir-nos de algum dano no passado ou algo de que fomos vítimas;
• podemos ressentir-nos do facto de que algo é injusto;
• podemos ressentir-nos de alguém que simplesmente não entende como nos sentimos;
• podemos ressentir-nos do mundo ser como é, cheio de dor e sofrimento.

O ressentimento é poderoso porque contém a zanga e o sofrimento - tem um cunho de auto-preservação; sente-se digno porque há que proteger os direitos de alguém; ou, sente-se absolutamente autêntico porque aquelas sensações são muito verdadeiras.

E se na realidade perdemos mesmo alguma coisa? e se houve uma luta entre a vida e a morte? E se o mais débil realmente faliu? E se a nossa vida veio à custa da vida de alguém outro? E se o que nos retém for a culpa de ter sobrevivido?

Outros passam de uma depressão profunda para uma raiva tal, que atacam tudo e todos sem se preocupar a quem prejudicam. A mensagem é clara; "quero que o mundo sinta a minha dor!"

Esta raiva vem da expressão directa da rejeição pré-natal. Não foi a mãe quem nos rejeitou, foi o irmão gémeo por desaparecer simplesmente. A resposta típica a esta sensação de rejeição e traição é entrar em colapso, desamparo e desesperança, enfurecer-se contra o outro e contra a injustiça do mundo, e/ou recusar simplesmente implicar-se na vida.

Ao nível emocional, a raiva é uma resposta desolada, solitária e apavorada ao Buraco Negro, onde lhe foi originalmente feita uma promessa de luz e amor. Aquela promessa brilhante da vinculação com o irmão gémeo (a vinculação mais próxima que existe na natureza) não foi cumprida, deixando só escuridão: - um sentido de falta, de perda e de vazio.

Esta raiva actua de modo alienado mas não é louca. Pode ser entendida. Ela é uma raiva contra a Natureza; contra Deus; contra o modo como as Coisas São. A vida é simplesmente inaceitável - não suportável - sem Outra Metade. Como Narciso, que viveu até a sua morte na contemplação arrebatada da sua imagem reflectida, ignorando amor e vida, o sobrevivente idêntico parece-se com um zumbi, só meio-vivo.

Para o sobrevivente o ressentimento ou a raiva são provavelmente o único modo de exprimir na vida aquelas suas sensações originais. Estes sentimentos parecem incontornáveis mas podemos curá-los. Apenas temos que acordar para realidade, para o calor da nossa vida depois do nascimento: que estamos rodeados do amor, de gente que deseja ser nossa amiga; que ninguém está a tentar prejudicar-nos; que a dor é nossa, não é uma dor que nos está a ser imposta.

Quanto mais tempo levarmos a perdoar, a deixar ir, e a rendermo-nos pacificamente ao modo como as coisas são, mais tempo viveremos em dor e solidão.

Você está a criar a sua dor e só você pode curá-la, simplesmente desculpando a privação que lhe coube nesta vida.

Keeping the dream alive, Constant, secret, seething resentment, The rage of the identical wombtwin survivor

13 de junho de 2008

Tradição africana

Entre os Iorubas, uma das maiores tribos africanas, nasce um grande número de gémeos: um em cada 22 a 24 nascimentos, enquanto a média mundial anda em um por cada 85 nascimentos.
O culto dos gémeos dos Iorubas dita que a alma dos gémeos é indivisível. Assim, se uma das crianças morre, eles criam um substituto para o gémeo sobrevivente. Um carpinteiro é incumbido de fazer uma pequena figura de madeira que vai servir de lar à alma da criança falecida. A figura de madeira do gémeo -ibeji- é vestida, enfeitada com jóias, lavada e untada com óleos, e é tratada do mesmo modo que a criança viva, sendo mesmo colocada ao peito.
Quando mais crescida a criança passa a carregar a sua "outra metade" ao pescoço ou à cintura.

Da nossa perspectiva esta tradição, para além de integrar a criança falecida na família, ajuda o gémeo sobrevivente a reconhecer a sua perca, com os benefícios que daí advêm - reconciliar-se com a sua dor, e fazer um luto com consciência.

11 de junho de 2008

Bebés gémeos sobreviventes

Gémeos sobreviventes partilharam a sua vida intra-uterina com um ou mais irmãos gémeos, o que significa que a gravidez começou com dois, ou mais, bebés e terminou apenas com um. O irmão gémeo pode ter morrido em qualquer etapa da gravidez até ao momento do nascimento, incluindo aqui o chamado síndrome do gémeo desaparecido, amplamente observado e estudado pela medicina.

A perda de um gémeo, como qualquer outro acontecimento marcante (seja positivo ou negativo) durante a gestação, terá um efeito potencial no desenvolvimento da personalidade desse indivíduo. A psicologia pré-natal está hoje bem estabelecida e já podemos afirmar com certeza que a nossa vida no ventre tem muita influência na formação da nossa personalidade. Os gémeos sobreviventes são um caso especialmente interessante nesta matéria.

Muitos meios-gémeos manifestam nas suas vidas, e nomeadamente na adolescência, ansiedades e outros indícios resultantes da vivência de morte por que passaram mesmo antes de nascer. Mas também há casos de gémeos sobreviventes que não apresentam na sua vida futura nenhum tipo de angústias profundas. A pergunta é, a que se deverá essa diferença.

A qualidade do vínculo que a mãe estabelece com o seu bebé durante a gravidez, logo depois do nascimento e nos primeiros meses, tem uma importância crucial para que sejam reduzidas as consequências emocionais negativas nomeadamente as que os gémeos sobreviventes enfrentam. Para estas crianças um vínculo de qualidade com a mãe poderá ajudar a curar precocemente a ferida que eles trazem da sua vida intra-uterina. Se a dor e o luto forem partilhados com a mãe desde o primeiro minuto, se ela acolher os lamentos do bebé e lhe poder oferecer o apoio que ele necessita, é provável que ele venha a ter mais facilidade em superar essa perca.

Com um contacto corporal muito próximo, e uma disponibilidade e entrega emocional da mãe para estar e cuidar do seu filho nos primeiros meses, ele terá a oportunidade de se ir libertando da sua condição gemelar inicial, tomando consciência do seu próprio ser individual e único. Este é o “método” usado entre povos naturais para cuidar dos seus filhos, eles sabem que para um bebé crescer emocionalmente saudável ele precisa de um cuidado atento, próximo e permanente nos primeiros tempos de vida.

O toque é uma necessidade básica de qualquer recém-nascido, ajuda-o a reconhecer o seu envelope corporal e a construir assim a sua identidade própria. No caso do nosso bebé sobrevivente de uma gravidez gemelar, o toque é especialmente importante para que ele possa crescer assumindo-se como uma só pessoa inteira. Porque esta é a dor dos gémeos sobreviventes – o facto de lhe faltar uma parte (o seu irmão gémeo) - de quem eles pensavam que eram.

Naquela fase precoce do seu desenvolvimento, em que se deu a tragédia, o indivíduo ainda não conseguia diferenciar claramente entre quem ele era, e quem era aquela criaturazinha que crescia a seu lado. Existe nele a tendência para a confusão de identidades. Com a ajuda de uma mãe informada, que está lá, que o recebe e lhe dá um apoio seguro, ele terá os fundamentos para ultrapassar com sucesso essa dificuldade.

10 de junho de 2008

Workshop no Porto

O Centro de formação Asas e Raízes vai oferecer um Workshop de dois dias com o título Sobrevivente de Gravidez Gemelar acerca da nossa temática, no Porto. Será uma oportunidade de encontro para trocarmos informações acerca das experiências que cada participante trouxer, relacionadas com a sua hipótese ou a certeza de ser gémeo sobrevivente, ou apenas as questões que queira colocar e que o/a faz interessar-se por este assunto.

Antes deste fim-de-semana, na quarta-feira, haverá também no Asas e Raízes uma palestra de entrada livre, onde irei explicar em mais pormenor em que consistirá o Workshop.

Posso no entanto adiantar que para além do trabalho individualizado com os participantes vamos fazer alguns exercícios que podem ajudar a esclarecer dúvidas e sentimentos pouco nítidos. Vou também apresentar dados científicos e mostrar um filme da National Geografics que refere o fenómeno dos gémeos desaparecidos.

Se é ou pensa que poderá ser, se tem um filho que é, se conhece alguém que é, ou então se está simplesmente interessado em conhecer melhor esta questão dos gémeos sobreviventes, apareça!

Palestra (entrada livre)

data - 25 de Junho
horário -21h30
local - Rua das Flores 57, 2º Porto
tel: 222 059 584

Workshop
data - 28 e 29 de Junho
horário -10h00 às 12h30 e das 14h30 às 17h00
local - Rua das Flores 57, 2º Porto
tel: 222 059 584
preço - 90 euros

9 de junho de 2008

Lidar com crianças meio-gémeas

Muitos meios-gémeos manifestam nas suas vidas, e nomeadamente na adolescência, ansiedades e outros indícios resultantes da vivência de morte por que passaram mesmo antes de nascer. Mas também há casos de gémeos sobreviventes que não apresentam na sua vida futura nenhum tipo de angústias profundas. O que podem então os pais fazer pelos seus filhos gémeos sobreviventes na fase da infância para ajudar?

Em primeiro lugar, caso não tenham já a certeza quanto à existência de um gémeo desaparecido na gestação do seu filho será necessário observar a situação, fazer um diagnóstico. Com a ajuda da seguinte lista de sinais característicos geralmente presentes em crianças meias-gémeas, pode chegar à conclusão se o seu filho pertence ao grupo dos gémeos sobrevivente. Se ele apresentar algumas destas características: é diferente das outras crianças; é muito empático, sensível ao ambiente que o rodeia; tem uma imaginação rica, criativa; fala muito sobre a morte; gosta muito de animais; tem um amigo imaginário; interessa-se pela espiritualidade; mas por outro lado, se é excluído pelos amigos; odeia competir e prefere trabalhar em conjunto com toda a gente, se tem baixa auto-estima; não gosta de dormir sozinho; parece perdido e sozinho, ou se é hipersensível, pode por a hipótese, com muita probabilidade, de que ele tenha vivido a morte do seu irmão gémeo, uma situação de extrema perturbação emocional, no início da vida intra-uterina dele.

Pode ainda perguntar-lhe directamente se ele se recorda de ter havido mais alguém com ele quando estava na barriga da mamã. Esta pergunta deve ser feita num momento em que ele esteja calmo, sozinho consigo, antes de adormecer, por exemplo. Normalmente as crianças têm uma grande facilidade de entrar em contacto com essa memória recôndita. Se ele se recordar de algo pode perguntar-lhe ainda: – E como é que te sentias com ele/a?, ou – O que foi que aconteceu depois? A criança pode ficar triste ou perturbada, abatida mesmo, e se for esse o caso dê-lhe todo o conforto possível acolhendo a sua tristeza. Ela estará a fazer um luto, e esse processo é muito curativo para ela.

As investigações nesta área parecem indicar que se um indivíduo souber desde cedo que teve um gémeo, esta informação passa a fazer parte dele, ajudando-o a compreender melhor as suas sensações. Deste modo ele saberá que está a responder de modo perfeitamente normalmente à real perda da sua "outra metade". O melhor que os pais destas crianças podem fazer é contar-lhes desde o início que tiveram um irmão gémeo.

Tomando estas medidas de prevenção pode ter mais meios para lidar melhor com o seu filho:

- Informar-se acerca dos pormenores médicos da gravidez dele, de modo a poderem ir respondendo às perguntas do filho à medida que forem surgindo.

- Manter-se informados sobre os potenciais efeitos psicológicos da perda pré-natal de um dos gémeos de modo a aperceber-se atempadamente se surgirem problemas.

- Entrar em contacto com outros pais de gémeos sobreviventes para suporte mútuo e partilha de informação.

- Criar para o filho uma espécie de prova física do gémeo desaparecido: uma estátua, um brinquedo especial ou uma planta no jardim, etc. como foco das sensações de tristeza ou perda, para o caso que surjam.

- Validar as sensações do seu filho frente ao cepticismo dos outros, que gémeos sobreviventes realmente têm uma sensação de que lhes falta algo – mesmo que não lhe seja fácil acreditar nisto!

- Estimular o seu filho com amor e aceitação.

O facto do seu jovem sobrevivente ser "diferente" pode ser celebrado como um presente especial, já que eles são muitas vezes miúdos muito sensíveis e empáticos, e que gostam de cuidar de quem os rodeia.

Se tiver outras dúvidas pode contactar comigo directamente para wombtwin.pt@hotmail.com.

Bibliografia: Is your child a wombtwin survivor, What to tell my wombtwin survivor child and when

6 de junho de 2008

Sinais corporais

Ao ler acerca deste assunto é possível que se questione: será que sou um Meio-gémeo sobrevivente? Eventualmente só terá uma resposta a esta questão com o passar do tempo, o nosso inconsciente faz um bom trabalho no que respeita a esconder traumas. É importante ir-se escutando a si próprio e não tirar conclusões precipitadas.

A memória intra-uterina, aparentemente longínqua, está sempre presente imediatamente atrás dos nossos olhos, é um filtro através do qual nós vemos o mundo. Se nos conseguirmos observar um pouco talvez nos seja possível identificar algo desse filtro.

Quando alguém que sofreu um trauma é exposto a uma situação semelhante à do seu trauma, ou que o leva a recordar, o corpo geralmente dá sinal através de determinadas reacções. São chamadas sensações corporais de activação do trauma que frequentemente se traduzem em tosse, tristeza, lágrimas incontroláveis, medo, sonolência, arrepios ou calafrios, raiva, escandalizar-se, mal-estar geral ou dores de cabeça, entre outras.

Há ainda outros sinais aparentemente banais que podem dar mais uma indicação sobre a probabilidade de ter tido ou não um irmão/ã gémeo/a desaparecido/a:
- Pode informar-se acerca da sua gestação, muitas vezes as mães que tiveram fortes hemorragias no primeiro trimestre da gravidez perderam um dos gémeos.
- Em situações em que a mãe faz um aborto e continuou grávida a criança que nasceu provavelmente não estava lá sozinha.
- Se já há mais gémeos na família.
- Se teve um nascimento traumático, prematuro, ou com baixo peso à nascença.

Se ao ler estes textos tiver algumas dessas reacções ou situações descritas, isso pode ser um indicador de que também é um gémeo sobrevivente.

Afinal somos um oitavo da população mundial!

29 de maio de 2008

26 de maio de 2008

1ª Conferência Wombtwin.com

Vai ter lugar em Londres no dia 21 de Junho deste ano a 1ª Conferência da Wombtwin.com, com o título Da teoria à terapia. Esta vai ser uma oportunidade única de reunir vários especialistas nesta área que eu não vou perder, e de que darei depois o meu testemunho. Pode aceder a mais informações acerca deste evento aqui.

Oradores:
Althea Hayton: Directora do Projecto Wombtwin.com Ltd.
Os efeitos físicos e psicológicos de ser gémeo sobrevivente de uma gravidez múltipla.

John Rowan: Psicoterapeuta pré- e perinatal
O papel do gémeo desaparecido na psicoterapia pré- e perinatal

Nick Owen, Psicoterapeuta, Director Wombtwin.com Ltd.
Em direcção a uma terapeutica para gémeos sobreviventes

Workshops de pequenos grupos para:
Gémeos sobreviventes
Terapeutas
Familiares de Gémeos sobreviventes
Profissionais da área médica.


Por esta altura será também lançado o último livro de Althea Hayton - A Silent Cry, wombtwin survivors tell their stories (Um grito silencioso, gémeos sobreviventes contam a sua história).
Nos últimos cinco anos centenas de pessoas contactaram Althea Hayton, e algumas contaram-lhe a sua história. Esta é uma antologia dessas histórias contadas pelos próprios gémeos sobreviventes. Se quiser saber mais tem aqui mais informações acerca do livro.

25 de maio de 2008

Início

A Wombtwin.com, no Reino Unido, reconhece que a morte fetal de um irmão gémeo em qualquer fase de desenvolvimento imprime no sobrevivente um efeito psicológico profundo. A sua função é dar apoio e informação a gémeos sobreviventes, seus pais e aos profissionais que lidam com estas pessoas, e a reunir e tratar estudos e relatos pessoais acerca desta matéria. Esta organização assiste tanto aqueles meios-gémeos que têm evidências científicas de que tiveram um irmão gémeo desaparecido durante a gestação, como aqueles que nunca tiveram nenhuma prova concreta - apenas um sentimento interior profundo e persistente, que não deixa sombra de dúvida.

Estudos realizados por Althea Hayton concluem que a memória intra-uterina da experiência gemelar imprime nos sobreviventes determinadas características como o sentimento de solidão, de algo que falta nas suas vidas, o medo de ser abandonado, o sentimento de estar incompleto e de ser diferente ou bizarro. Para lidarem com a dor da perda estas pessoas recorrem a todo o tipo de fantasias, na ilusão de preservar e reinterpretar o seu sonho do ventre, isto é, reconectar-se com o seu irmão gémeo. Nada parece ser mais importante para eles do que isso, nem mesmo a própria vida. Uma vez desvendada a história da sua origem como gémeo e resgatada a carga emocional que os sobrecarrega desde a sua vida no útero, a necessidade de repetir o seu sonho do ventre tende a diminuir ou cessa completamente, para grande benefício pessoal do indivíduo. Althea Hayton faz ainda um trabalho de acompanhamento individual via Internet a quem o solicite. Estando também em linha com este blog, Althea deseja "as boas vindas a todas as pessoas de língua portuguesa de toda parte! Espero que apreciem este blog."

Depois de muito ler e estudar, ouvir e buscar, reflectir e sentir, quero colocar à vossa disposição a informação e as ideias que vou tendo acerca de ser gémeo sobrevivente. Este blog vai-nos servir para trocarmos ideias acerca desta matéria, surpreendente para a maior parte da opinião pública, em português.

Reencontrar a minha irmã desaparecida foi a peça do puzzle que faltava para chegar a mim própria, pois ao ousar encarar-me de frente consegui finalmente ver através do fino véu que a encobria.
Desejo que este seja um sítio útil para todos os meios-gémeos que procuram conhecer-se melhor, para que possam entender e confiar nos seus sentimentos.